25 de set de 2010

Star Gazing Over Borestone Mountain, by Elizabeth Fraser, 2009.

O vento, hoje, parecia em festa. Rodopiava, espalhava poeira, fazia par em dança com folhas secas, tocava flores de árvores como se quisesse descobrir, n'alguma fresta ali por perto, incomparável elemento que ele perdera de suas vistas quas'etéreas. O vento é caprichoso! Ora toca usando de intensa força, ora exibi suavidade como nenhuma outra há.

O sol, hoje, parecia exasperado. Irradiava com grande ímpeto, iluminava, transpirava, alimentava, castigava. Tomava todo canto como se pretendesse a tudo desvelar das sombras, para que no mundo nada permanecesse oculto. O sol é caprichoso! Maior paradoxo não existe: vida e fenecer.

A chuva, hoje, parecia solitária. Não deu as caras, recolheu-se nas parcas nuvens, passeava pelos céus em alta velocidade, transmutava-se como massa de modelar, procurava ocupar os espaços e ver através dos vidros dos edifícios – o que haveria por detrás das copas das árvores? A chuva é caprichosa! Quando lhe dá nas ventas, vai por terra; quando não, baita seca!

O rio e o mar, hoje, pareciam afoitos. O tempo todo misturando água em ondas. A correnteza não parou de descer, o mar de bramir, o calor refrescar, a sede matar, o ar renovar. Tinham pressa em se acarinhar! Como se procurassem nas margens e areia as pegadas de Narciso. Mar e rio são caprichosos! Quando cismam, não há quem os detenha.

As montanhas, hoje, pareciam silenciosas. Mas também agoniadas! Suas raízes sempre plantadas em terra, vontade de sair por aí à procura de algum sonho, sobre a qual elas mesmas não saberiam dizer. Nem sempre é possível falar sobre a perfeição! Por vezes, só se pode senti-la, pequena porção de sua exuberância. Mas há muita solidão, além de saudades e sabedoria, nas alturas. As montanhas são caprichosas! E naquele silêncio alado, naquele luto insone, as montanhas entoavam mantras pela presença de alguém.

Eu... bem... não sou lá muito caprichoso, mas imperfeito. Falho tanto que às vezes escondo o rosto! Só não deixo de enxergar... Sinto-me feliz por perceber claramente que o vento a rodopiar, sol a iluminar, chuva a espreitar, montanhas a entoar, se assim os fazem, apressados, poxa!, é por que vivem à procura dos teus passos. Eles vivem atrás de você!

E, quando a encontram, ah!, faltam palavras ao barro por aprimorar, para descrever a beleza da perfeição. Não sei se alguém mais vê, passam adormecidos pela mais bela estrela!, mas eu, ao observá-la cortejada pelos elementos, choro, então, ou sorrio!, pelo privilégio de percebê-la sempre tão linda!

(para a Beth Finholdt.) 

2 comentários:

V.H. de A. Barbosa disse...

Uma declaração digna dos ventos, Sol, rios e montanhas citados.

Daniel Ricardo Barbosa disse...

Olá Victor! Obrigado... Bom sabê-lo por aqui! Volte sempre... seus comentários sempre me alegram... abraço!