26 de mai de 2010

Simple Plan

Pedro The Lion é outra daquelas bandas as quais se acostumou a rotular como pertencendo ao "gênero"  indie rock. Hoje inativa, foi formada em 1995, na cidade de Seatle, pelo multi-instrumentista David Bazan. Segundo o próprio Bazan, o seu principal objetivo ao dar início à banda, era realizar a interpretação musical dos livros "Nove Estórias", de J.D.Salinger, e Sangue Sábio, de Flannery O'Connor.

Sobre o primeiro livro nada direi. Há várias menções a Salinger em posts antigos. Trata-se de autor cujas obras não me canso de ler e que, a cada nova leitura, ensina-me muitas coisas sobre valores.

Quanto à Flannery O'Connor e o seu "Sangue Sábio", devo confessar que não conhecia, procurei saber mais a respeito movido justamente pela música do Pedro The Lion. 

Sangue Sábio (Editora Siciliano, 1990) é tido por muitos como uma releitura da literatura gótico-sulista estadunidense. Foi escrito em 1952 e relata a trajetória de Hazel Motes, filho de um pastor evangélico e que tinha como destino herdar a congregação e dar prosseguimento às pregações do pai. 

Sua trajetória muda radicalmente quando Hazel é obrigado a lutar numa das muitas guerras já travadas. Ao voltar para a cidade natal, Hazel perdera a fé. O pai falecera e ele decide não seguir os seus passos messiânicos. Então Hazel funda uma nova igreja - a Igreja Sem Cristo -, "onde o cego não vê, o aleijado não anda, e o que está morto assim permanecerá". 

O livro parte da premissa de que o homem nasce e morre só. O que mais salta às vistas em "Sangue Sábio" é precisamente a solidão dos poucos personagens. Solidão muito bem expressa por Enoque Emery, por exemplo, que se torna uma espécie de alter-ego de Hazel, um jovem que fora obrigado pelo pai a procurar melhores condições de vida na capital, e que, após 2 anos ali residindo, não conseguira estabelecer nenhuma amizade. Também ele haverá de "converter-se em nada ao invés de entregar-se ao bem ou ao mal".

Embora apresente uma ou outra inconsistência, a leitura vale a busca em sebos (não foram muitas as edições desse livro), sobretudo por sua atualidade. A música de Pedro The Lion, no entanto, independente do que se possa dizer sobre ela - ou eu mesmo possa pensar -, não me sai da cabeça... existirá algum antídoto?


(Simple Plan, by Pedro The Lion, in Achilles Hell, 2004.)

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