5 de abr de 2010

Teia do Aranha

Dia desses me espantei ao ler em blog de certo professor de Letras, que leciona para turmas de uma das principais universidades do país (muitos a consideram como sendo a principal), a sua opinião a respeito do livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley.

Vale dizer que sempre que alguém me interpela pela indicação de alguma leitura, costumo, de acordo com a personalidade do interlocutor, indicar ou “O Apanhador no Campo de Centeio”, de Salinger, ou o próprio “Admirável Mundo Novo”.

O último se trata de livro que espantou não só o pateta que escreve essas linhas, mas igualmente sem-número de artistas espalhados pelo mundo. Zé Ramalho, Iron Maiden, Raul Seixas, entre tantos outros, tomaram-no como inspiração de diversas obras.

Mesmo o "Admirável Mundo Novo", porém, não me surpreendeu como o fez o supracitado e renomado professor de letras em seu blog. Disse ele que, na verdade, Aldous Huxley propunha à sociedade um modelo sistemático.

Eu, que sempre tomei o livro como uma antevisão permeada por severa crítica ao modelo que poderia vir a se instalar, e engulo em seco ao observar muitas das previsões de Huxley se confirmarem no mundo moderno, fiquei simplesmente estupefato. Teria interpretado erroneamente o suicídio do Selvagem no final do livro? Interpretado equivocadamente a ironia presente em toda a estupenda narrativa?

Meu estupor só encontraria eco dias depois, quando fui obrigado a atravessar o campus de outra dessas "principais faculdades do país", a fim de chegar ao meu verdadeiro destino: a agência bancária onde pagaria contas. Caminhava precisamente em frente ao prédio da faculdade de Letras, quando recebi das mãos de um jovem, panfleto cuja imagem compartilho logo abaixo.

Vale ressaltar que a minha primeira reação ao receber o flyer foi amassá-lo e lançá-lo na lixeira. Ato reflexo de praxe perante a quantidade de propaganda que se recebe ao atravessar as vias mais movimentadas de uma capital.

Sorte que antes de atirar fora o papel, lembrei-me num estalo do blog do professor de Letras! Agora, sempre que um professor ou aluno tornar públicas interpretações similares a respeito do “Admirável Mundo Novo”, ou sobre qualquer outro livro, eu serei capaz de compreender as suas leituras das obras:


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