7 de dez de 2009

Sombras de Silício



{comecemos por aqui}: a mesma sombra
esteve por baixo de muitos corpos, de suas 
águas e urgências, algumas primitivas, que num 
ápice atravessaram o subterrâneo 
de todo o tempo. {e depois, porventura, alguém dirá}: 
o mesmo sexo não produz o mesmo filho, bem 
como a mesma frase não gera o mesmo amor. 
e então talvez haja necessidade de falar por escrito, 
dentre as sombras de carolinas a florir, 
e escrever por exemplo isto: 
não sei em que sombra te foste probabilizar. continuo 
sentada sobre a memória náufraga e hirsuta 
que ainda constrói 
lugares distantes com aves de silício, 
com corpos sem corpos que 
afinal são arte, e sensações que partem 
do seu epicentro 
à procura de uma distância onde se possam medir. 


(poema e gentil colaboração da poeta Sylvia Beirute.)

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