14 de nov de 2009

Fernanda Young e o Cheirinho do Loló


Eis o motivo que me leva a não prometer publicação de posts que ainda não têm sequer uma linha rascunhada: desisti de escrever sobre as declarações da protagonista da capa da Playboy do mês 11/2009 (a saber: Fernanda Young).

Tinha algumas coisas em mente – durante vários dias insights martelaram os pensamentos –, porém, deixei o tempo passar. O "evento" já recebeu críticas e esculacho de diversas origens e a minha vontade de igualmente fazê-lo esmoreceu. Tornou-se menor do que o enfado.

Resumidamente, no entanto, relatarei aqui o que pretendia escrever, publicando no post que nunca será mais do que uma inspiração perdida no infinito. Inicialmente, tencionava responder, por minha própria conta e risco, às supostas razões que a citada romancista-modelo-artista-do-nu (Fernanda Young – doravante designada apenas pela sigla FY), alegou como preponderantes na sua decisão de posar nua. Eis as questões enumeradas e as suas respectivas respostas (apenas para a ideia geral de como seria o post perdido):

1 – Salvar o erotismo da breguice.

    “Saul Bellow tem razão quando diz que o homem “intelectual” se tornou realmente uma criatura presa à explicações – ainda que os atos impliquem interesse apenas para os próprios indivíduos.”


2 – Não devo nada a ninguém.

     “Ora, ora... Será que ela recusou o cachê?”


3 – Em alguns lugares do mundo, as mulheres ainda são obrigadas a tampar seus corpos.

      A resposta virá anexada ao item de número 9. (Para que não fiquemos ansiosos enquanto não chegamos lá, contentemo-nos com a seguinte urubuservação: “tampar” o corpo?; não seria melhor dizer: “cobrir” o corpo? É que tampar sugere o sujeito que se esquece de descer a “tampa” do vaso.)


4 – Vingança pura e simples.

     “Já dizia o famoso personagem homônimo do programa mexicano Chaves do 8: “A vingança nunca é plena...”

5 – Em meus livros, sou mil ou mais vezes mais exposta.

     “Vai ver é porque a tampa era pequena para o tamanho do... bom... do corpo (pensaram o quê? - voltem ao item 3 para esclarecimento de dúvidas).


6 – Vou fazer 40 anos no ano que vem.

      “Parabéns! É mesmo uma bela idade! Me chame para comer do... bom... do bolo? (Acho que ela não vai me convidar não!)

7 – Irritar a mãe.

     “Já não há suficiente número de gente irritada, não?”

8 – Estou me lixando para o que os idiotas vão achar.

     “Eu também!”


9 – É a primeira vez que uma coelhinha da Playboy tem oito romances publicados.

     “É a primeira vez que vejo uma suposta defensora dos direitos das mulheres designar outra mulher (ou a si mesma!) como coelhinha. (Esta resposta serve igualmente ao item 3.)

10 – Não existem BBB's suficientes.

       “Pensei em me abster de comentar esta colocação. FY tem razão! Mas pode esperar, pois se não existem, certamente ela se candidatará. Já pensou: irritando muito mais gente diariamente?”

Após as colocações acima, e suas respectivas “observações”, ainda me referindo ao post que eu decidi não mais escrever, abordaria as declarações que, bem no fundo, moveram a publicação do... (ops!, moveriam, né?). É que, coincidente à chegada da Playboy nas bancas, o novo “romance” de FY ilustrará rapidinho as prateleiras das livrarias.

Poxa vida! Que estratégia de marketing! Por que nunca pensei nisso antes? Vai ver é porque minha beleza é meio underground – ou não reside propriamente no físico – ou dou maior importância à literatura que circula em outros antros – ou ainda não pintou o convite da G Magazine - ah!, eles nunca me convidariam mesmo – quem sabe? O fato é que se referindo ao “romance” (intitulado “O Pau”), e o relacionando a ter posado nua, disse FY (seguem naquele mesmo esquema colocação dada e observação recebida):

1 – Posar nua trouxe uma inspiração e um vigor que eu não sentia desde que escrevi meu 4º romance.
2 – Mostrei que uma mulher de 40 anos pode ser bela e vigorosa.
     (Resposta dos itens 1 e 2 unificada para o deleite daqueles leitores que detestam posts por demais longos – ainda que posts jamais escritos):

     “Não entendi! As mulheres de 40 anos são realmente belas e vigorosas, mas se tu não sentias vigor desde o teu 4º romance, e “O Pau” é o 9º livro que publicas, como poderias 'mostrar' tal coisa?

3 – O título do livro seria “Identificação com o Inimigo”.

      “Não entendi! Homens e mulheres são inimigos? Espero que não! Adoro as mulheres! Que me perdoem os homens, mas as acho muito mais interessantes! E o que a frase da Anna Freud (bem retratada na música da banda The National – cliquem aqui para conferirem) tem a ver com “O Pau”? Pô! Tô começando a duvidar da minha capacidade de interpretar o que as pessoas dizem!


4 – O ensaio me ajudou a despir de preconceitos.

      “Não entendi! Como alguém que julga os homens pelo pênis (vide logo após a pausa), ou o homem “um pênis”; alguém que tece mil e um comentários sobre BBB's (não que eu seja fã delas), entre outros (não quero me estender ad infinitum), julga-se despida de preconceitos? Despida sim, mas de preconceitos?

(Pausa para a respiração...)

Agora sim, segue abaixo a colocação que mereceria a resposta mais longa, a figurar no post que não mais escreverei sobre a Fernanda Young (igualmente coloco resumidamente apenas por curiosidade escatológica):

5 – O pênis é objeto de traição, símbolo que atrai e trai. Tire o pênis de um homem e ele não será mais nada.

     "Uau! Chego a me arrepiar ao ler um troço desses! “Tire o pênis de um homem e ele não será mais nada”. Nussinhora! E meu pênis ainda passou a ser um objeto! Nem se eu vivesse na Idade Média teria pensado em tal coisa! Por outro lado, fiquei com dó d'O Pênis (o marido da Fernanda Young – aqui usar sigla ao invés de substantivos seria fugir de dar nome à Vagina). O quê tal figura, “O Pênis” (marido da FY), terá pensado ao descobrir que ela o considera um pênis e mais nada? Oh!, dó! 

Ah!, quer saber? Que dó d'O Pênis qual nada! Fiquei com dó, isto sim, dos tetraplégicos e acidentados, que não podem fazer o uso de seu pênis ao qual se refere a FY. Será que eles passaram a se considerar menos homens após lerem a colocação da Vagina?


Fiquei com certa irritação... não por mim... mas por gente que foi resumida a apenas um pênis e não está mais conosco a fim de responder. Cito alguns (limitando-me à literatura): Fernando Pessoa, Vinícius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Rilke, Machado de Assis, Saul Bellow, Dostoiévski, Kafka, Camus, Huxley, Jack London, Thomas Mann, Baudrillard; mas não só, pois penso igualmente em todas as mulheres que, naquele momento, foram usurpadas de sua voz pela cabulosa vagina chamada FY; mulheres como Nélida Piñon, Marguerite Yourcenar, Cecília Meireles, Conceição Evaristo, Virgínia Wolf, etc. 

É uma pena! Pena que a sociedade sempre busque os extremos e nunca o equilíbrio.


Ainda bem que Fernanda Young “tem” unicamente filhas, né? Vai ver seria um desgosto muito grande conceber “pênis” como os supracitados. Se bem que desgosto seria o deles ao descobrir que a mãe os consideraria unicamente como uma genital."

E não perco mais tempo falando sobre o post que eu não mais escreverei. Resta apenas a obrigação de incluir duas ou três ressalvas:

1.5 – Não vi o ensaio ou a Playboy (acho que vi cabe melhor do que li);
2.5 – Uma dúvida insistente da minha mente doentia – sempre dada a fazer correlações esdrúxulas -: será que FY é vegetariana? Bah!, tatuagens nada têm a ver com vegetarianismo!
3.5 – Torço pra valer para que a Playboy nunca faça o convite para a Nélida Piñon!
3.75 - Estou começando a me adaptar a essas listas enumeradas.

4 comentários:

Anônimo disse...

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Sylvia Beirute disse...

belissimo. assim como o teu livro.

V.H. de A. Barbosa disse...

Genial. O Feminismo atualmente é apenas uma sombra do que pensou, cogitou, sonhou em ser um dia. Um movimentozinho sem cara, sem identificação, que, tão carente disso, acabou por aceitar o que lhe veio a frente: a máscara do homem. O feminismo não passa de uma reprodução barata do comportamente masculino... na mulher.

Daniel Ricardo Barbosa disse...

Belíssimos são os teus poemas Sylvia!
Disse tudo amigo Victor!
Abraços!