17 de mar de 2009

Amongst The Nerves of the World, C.R.W. Nevinson, 1930.

Ela gostava quando a chuva cessava, e por todos os lugares, todas as calçadas, por mais que o concreto fosse tomando os espaços, as poças, pequenas, médias, grandes, formavam-se como espelhos d’água.

Sentada frente à loja que fechara há pouco, ou sucedendo lentos passos, a carregar a sua bolsa e ocasionais sacolas de supermercados, não importava! Qualquer que fosse o ângulo, qualquer que fosse a imagem refletida, bela era a luz que ali fazia morada multiplicando cores.

Até que a frágil mão parecera tão desligada do centro que a regia. Espelho d’água singular beleza! Sacolas caíram e tudo se espatifou. Mãe e pai, bem, fizeram o que mãe e pai fazem, a fim de se sentirem culpados e preencher o vazio. Ultrapassaram limites como qualquer pessoa às vezes os ultrapassa. Todos. Marcas pelo corpo.

Espelhos d’água nunca mais foram os mesmos. Ou seriam os olhos que perderam o brilho? Ou o mundo que diluíra demais as cores? Medo de baixar as vistas, içá-las, mantê-las. Medo! Até do sonho. E, além de mal dormir, tremia. Apesar de mal soluçar, vivia.

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