14 de nov de 2008

Eu Sou Pessimista!


Paisagem de Castela, by Ignacio Zuloaga, 1909.


NITROGLICERINEM AS TV'S

Apesar de todos os desastres que se anuncia
Apregoados por cientistas e afins
A avizinharem-se em espantosa velocidade
E desde já devastarem toda a gente,
Cerca de três quartos dos seres humanos,
Ainda assim,
Afirmam pretender ter filhos.
Isto prova o quão otimistas são as pessoas!
dizia o comercial da TV.

Otimismo ou indiferença?
pergunto.

Penso um pouco
Repito a pergunta num sussurro
Desligo a TV
Que eu ligara 5 minutos antes.


CONTRA-SENSO

Plantei uma muda de cajueiro,
Terra fendeu, planta secou;
Empurrei meu barco e subi ligeiro,
Correnteza inverteu, rio secou;
Ganhei três degraus da escada rolante,
Tempestade caiu, energia cessou;
Consegui emprego como carpinteiro,
Madeira apodreceu, serra enferrujou;
Respeitei leis de trânsito e outros ditames,
Coração deprimiu, corrente me atropelou;
Contribuí com votos depositados nas urnas,
Governos passaram, dinheiro acabou;
Segui preceitos religiosos e temi o sagrado,
Senti-me usado, por tempos fé abandonou;
Acreditei em ciências e filosofias mil,
Senti-me atado, compreensão se apoucou;
Enviei uma carta pedindo ajuda,
Carteiro morreu, correspondência se extraviou.

Amigos, Parentes, Conhecidos, Colegas
Amores, Amantes, Anônimos, Semelhantes

Acendi fogueiras pra esquentar do frio,
Tempo varreu, fogo vento apagou;
Então soprei com força brasas que ainda restavam,
Pulmões perderam o fôlego, céu desaguou.

E se um dia desejasse o impossível silêncio do fogo extinto,
Sei que só então chamas crepitariam de brasas quase mortas;
E vozes, como nunca deixaram de arder,
Clamariam com imenso calor,
passos através da paisagem.

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